
Vejo nossa geração perdida, diante da época chamada tão ostentadora de pós-modernidade. Por que tanto orgulho quando falamos que estamos nesta transição?
A geração passada sabe de certa forma, lidar melhor com as mudanças de pensamento do que a atual. No mínimo sua maioria tendem a permanecer com as convicções antigas, já que as atuais duram muito pouco.
É pregado de boca cheia a nossa infinita liberdade de pensar e fazer. Sim, são pontos positivos: o pensar, a criticar e levantar questões. Acredito que o grande mal seja, o de que muitas perguntas estão sem respostas para nossa geração. Incentivam-nos a pensar e repensar, criticar, colocar a boca no trombone, mas somos movidos em massas para o conformismo de um mundo sincretizado em tudo, onde tudo tende a se misturar, o que facilita a manipulação.
O relativismo nos atinge, e não saber lidar com ele esta sendo escondido atrás das afirmações do tipo: “não é bem assim, tudo é relativo”, “as coisas mudaram”, isso soa moderno. Bem, não vejo muita mudança, vejo perca de identidade. Antes as pessoas tinham convicções, hoje a geração da pós-modernidade não consegue definir nem mesmo se nasceu homem ou mulher, afinal é relativo né?! Nossas lutas são por coisas banais em grupos isolados, onde cada um procura seus beneficios, compramos roupas baseados na marca idiota que nada nos acrescenta… os poetas, reformadores entre outros ão de se remoer no túmulo com nossos interesses.
A pós-modernidade vem embrulhada na liberdade, que eu não vejo. Nunca se foi tão escravo do comércio, da estética, da moda, das ideologias que criam tribos em nossa cidades, que causam a divisão em classes sociais que Marx tanto denunciou. Nunca se viu tanta gente adulta – do jeito como as crianças se vestem e falam, ando procurando uma criança de verdade que esta a beira da extinção.
Esqueceram do grito de Martin Luther King sobre o incomodativo silêncio dos que se dizem bons. E, nós cristãos que o digam, pois teremos que gritar pra valer, ou logo terá cultos com ceia do senhor e horóscopo do dia logo em seguida. O nosso anonimato esta ajudando o mundo a matar Deus, até Nitch percebeu isso, e olha que ele se dizia ateu.
A pós-modernidade está aí, e está na hora da nova geração além de pendurar seus pecados na cruz ou jogá-los na fogueira do acampamento, colocar a cara a tapa e mostrar que o mundo mudou, nós mudamos, mas nosso evangelho não. Somos tão modernos, mas nosso evangelismo na rua é o mesmo de décadas atrás. E somos tão atuais que nosso relacionamentos são frágeis e inconseqüentes como outro qualquer. Cada igreja se gaba ou por excesso de tradicionalismo , ou por total ausência dele. Lendo a pagina de uma das igrejas super modernas, parecia que a cada tatuagem nova, um galardão no céu e cada piercing colocado, assim uma pedrinha na coroa celestial.
Antigamente o falatório dentro da igreja estava nos homens de barba e mulheres com saias acima do joelho. É exagero, eu sei, mas daí a nova geração extravasa, e tem palavrão no meio da oração e a cor da calcinha pra quem não quiser enxergar muito. Parece que estamos descivilizando. E tem casal crente que aos trinta anos de casado resolve se separar, porque na novela da globo isso parece legal e o filho adolescente que se exploda, afinal ele faz o que dá na telha desde que começou a falar.
A verdade é que pós-moderno ou não o mundo nunca foi a Pasárgada de nossas vidas. Sempre custou caro carregar a bandeira do cristianismo, mas estamos usando argumentos modernos demais, porém pouco convincentes para relativizar tudo, inclusive nosso papel de sal e luz do mundo. Modernizar a igreja não é colocar a bateria de ultima geração, é colocar esse monte de cabeças super dotadas de informática, marketing, administração e tantos outros e fazer novos projetos.
O mundo mudou, e estamos atrasados porque não o conhecemos a fundo, pois atrás de cada novidade há a necessidade de suprir algo que falta e isso não sabemos identificar muitas vezes. Encarar a pós-modernidade é sair do anonimato e assumir que precisamos correr atrás do prejuízo e não cometer os mesmo erros passados ou como diz o apóstolo Paulo, “seremos os mais dignos de pena”.