Partindo do fato de que inúmeras pessoas garantem seu sustento do ramo da estética, a visão de “ditadura da beleza” e a sua futilidade se contradizem.
Minha irmã é Make Hair Style – cabeleireira e maquiadora popularmente falando.
Ela esta acostumada aos ambientes da estética: feiras, eventos, salões de diversos portes.
Pude acompanha – lá a alguns destes lugares e tenho sempre a impressão de uma infinita futilidade ao adentrar em ambientes cheios de pessoas com cara de nojo exercendo seu papel de clientes, já que particularmente nunca consegui me sentir com tanto direito de ser servida quanto a maioria destas pessoas. Porém, dias atrás, sentada dentro de um verdadeiro complexo da beleza, com cadeiras demais, espelhos em excesso e muito profissionais entre cabeleireiros, escovistas, manicures, faxineiras e outros, pensei que talvez esteja equivocada com relação a este mundo da estética.
Não paravam de passar pessoas, eu nem mesmo sabia dizer quem fazia o que lá dentro, mas todas provavelmente ganham a vida baseada na famosa “ditadura da beleza” que os curitibanos, em especial as mulheres, formam. Questionei-me: “Seria tão fútil assim?”
Quero dizer, se não existisse a tal futilidade – levando em conta que, os preços são muito elevados por coisas aparentemente simples – onde estariam as tantas pessoas que trabalham na área?
É verdade que àqueles que trabalham, provavelmente não podem usufruir dos serviços do ambiente que formam. Seus salários não são compatíveis ao preço que o estabelecimento cobra dos clientes por seus serviços. Isso até se assemelha a outros ramos da nossa sociedade brasileira, as quais também utilizam mão de obra barata.
Acho que poderia dizer que bem aventurados são os “salões de bairro”, da periferia. A visão é no mínimo mais simpática e igualitária entre profissionais e clientes. Algum tipo de cooperação mútua, onde preços são acessíveis e as realidades de vida são semelhantes.
Imaginei enquanto esperava, como seria ver esse mundo de gente que precisa lidar com a desigualdade no ramo da estética, revoltada diante de sua situação. Rindo, fiquei imaginando um exercito com secadores a postos, escovas voando, mulheres descabeladas e quem sabe uma fogueira de bobes…
A realidade sempre se mostra a mesma: clientes fúteis pagando absurdos, patrões que usufruem muito e pagam pouco e funcionários que escutam muito e não recebem porcentagem extra com o “piti” alheio. Tenho a ligeira impressão que a futilidade acaba por escravizar muitos, em ambos os lados desse grupo ligados a estética.
É, esses profissionais sobrevivem disso, o problema a meu ver, está com aqueles que enriquecem se aproveitando da necessidade alheia.
Talvez os rótulos e banners da estética pudessem usufruir das palavras de algum poeta. E como boa teóloga, indicaria uma linha das sagradas escrituras para reflexão:
“Vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo“ (Mateus 23.24)
P.S.: Comprovadamente, a maioria destes profissionais da beleza acabará com lesões, devido movimentos repetitivos ou problemas respiratórios causados pelo vapor das químicas utilizadas. Mas quem liga? Afinal, a vida nos salões não para nunca…
Ando voltada para a esperança…
Da vida, sabe-se muito pouco. Só sabemos aquilo que já passou e nada mais.
Considero o Pedreiro um verdadeiro artista.Você já parou para pensar que toda a beleza da paisagem urbana é fruto de um trabalho braçal destes esquecidos artistas?
Sexta-feira a noite. Centro de Curitiba.
Advertiram-me varias vezes: “não fale bobagem menina, isso não existe…”