
“[Eu] Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho…” (C.S Lewis)

“[Eu] Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho…” (C.S Lewis)
Publicado em contos | Deixar um comentário »
Vejo nossa geração perdida, diante da época chamada tão ostentadora de pós-modernidade. Por que tanto orgulho quando falamos que estamos nesta transição?
A geração passada sabe de certa forma, lidar melhor com as mudanças de pensamento do que a atual. No mínimo sua maioria tendem a permanecer com as convicções antigas, já que as atuais duram muito pouco.
É pregado de boca cheia a nossa infinita liberdade de pensar e fazer. Sim, são pontos positivos: o pensar, a criticar e levantar questões. Acredito que o grande mal seja, o de que muitas perguntas estão sem respostas para nossa geração. Incentivam-nos a pensar e repensar, criticar, colocar a boca no trombone, mas somos movidos em massas para o conformismo de um mundo sincretizado em tudo, onde tudo tende a se misturar, o que facilita a manipulação.
O relativismo nos atinge, e não saber lidar com ele esta sendo escondido atrás das afirmações do tipo: “não é bem assim, tudo é relativo”, “as coisas mudaram”, isso soa moderno. Bem, não vejo muita mudança, vejo perca de identidade. Antes as pessoas tinham convicções, hoje a geração da pós-modernidade não consegue definir nem mesmo se nasceu homem ou mulher, afinal é relativo né?! Nossas lutas são por coisas banais em grupos isolados, onde cada um procura seus beneficios, compramos roupas baseados na marca idiota que nada nos acrescenta… os poetas, reformadores entre outros ão de se remoer no túmulo com nossos interesses.
A pós-modernidade vem embrulhada na liberdade, que eu não vejo. Nunca se foi tão escravo do comércio, da estética, da moda, das ideologias que criam tribos em nossa cidades, que causam a divisão em classes sociais que Marx tanto denunciou. Nunca se viu tanta gente adulta – do jeito como as crianças se vestem e falam, ando procurando uma criança de verdade que esta a beira da extinção.
Esqueceram do grito de Martin Luther King sobre o incomodativo silêncio dos que se dizem bons. E, nós cristãos que o digam, pois teremos que gritar pra valer, ou logo terá cultos com ceia do senhor e horóscopo do dia logo em seguida. O nosso anonimato esta ajudando o mundo a matar Deus, até Nitch percebeu isso, e olha que ele se dizia ateu.
A pós-modernidade está aí, e está na hora da nova geração além de pendurar seus pecados na cruz ou jogá-los na fogueira do acampamento, colocar a cara a tapa e mostrar que o mundo mudou, nós mudamos, mas nosso evangelho não. Somos tão modernos, mas nosso evangelismo na rua é o mesmo de décadas atrás. E somos tão atuais que nosso relacionamentos são frágeis e inconseqüentes como outro qualquer. Cada igreja se gaba ou por excesso de tradicionalismo , ou por total ausência dele. Lendo a pagina de uma das igrejas super modernas, parecia que a cada tatuagem nova, um galardão no céu e cada piercing colocado, assim uma pedrinha na coroa celestial.
Antigamente o falatório dentro da igreja estava nos homens de barba e mulheres com saias acima do joelho. É exagero, eu sei, mas daí a nova geração extravasa, e tem palavrão no meio da oração e a cor da calcinha pra quem não quiser enxergar muito. Parece que estamos descivilizando. E tem casal crente que aos trinta anos de casado resolve se separar, porque na novela da globo isso parece legal e o filho adolescente que se exploda, afinal ele faz o que dá na telha desde que começou a falar.
A verdade é que pós-moderno ou não o mundo nunca foi a Pasárgada de nossas vidas. Sempre custou caro carregar a bandeira do cristianismo, mas estamos usando argumentos modernos demais, porém pouco convincentes para relativizar tudo, inclusive nosso papel de sal e luz do mundo. Modernizar a igreja não é colocar a bateria de ultima geração, é colocar esse monte de cabeças super dotadas de informática, marketing, administração e tantos outros e fazer novos projetos.
O mundo mudou, e estamos atrasados porque não o conhecemos a fundo, pois atrás de cada novidade há a necessidade de suprir algo que falta e isso não sabemos identificar muitas vezes. Encarar a pós-modernidade é sair do anonimato e assumir que precisamos correr atrás do prejuízo e não cometer os mesmo erros passados ou como diz o apóstolo Paulo, “seremos os mais dignos de pena”.
Publicado em contos | Deixar um comentário »
Sou Boneca, de porcelana, de pano, de estopa…
Sou Boneca feita de chita, com vestido e renda francesa…
Sou Boneca de traços finos, com cabelo de lã…
Sou Boneca vestida de mulher, brincando de amarelinha
Sou Boneca de sorriso largo, herdeira da lagrima de um Pierrot
Sou Boneca fina e engomada, o travesseiro da criança que não dorme só
Sou Boneca frágil, sentada na rua de chão, no asfalto, na brincadeira de roda…
Sou Boneca que rasga e remenda com a mesma luta…
Sou Boneca colorida, que a tinta desbota com o tempo, mas nunca se apaga
Sou Boneca briguenta, mas de olhar manso…
Sou Boneca ao encanto de uns, ao desprezo de outros
Sou Boneca… Não sou Barbie, mas Emília me inspirou
Sou Boneca Humana, feita por mão de artesão divino.
Sou Boneca…
Sou Boneca e não discuto, com aquele de mão leve e voz doce que a vida me emprestou…
Publicado em Antologias, contos, poesia | Deixar um comentário »
Partindo do fato de que inúmeras pessoas garantem seu sustento do ramo da estética, a visão de “ditadura da beleza” e a sua futilidade se contradizem.
Minha irmã é Make Hair Style – cabeleireira e maquiadora popularmente falando.
Ela esta acostumada aos ambientes da estética: feiras, eventos, salões de diversos portes.
Pude acompanha – lá a alguns destes lugares e tenho sempre a impressão de uma infinita futilidade ao adentrar em ambientes cheios de pessoas com cara de nojo exercendo seu papel de clientes, já que particularmente nunca consegui me sentir com tanto direito de ser servida quanto a maioria destas pessoas. Porém, dias atrás, sentada dentro de um verdadeiro complexo da beleza, com cadeiras demais, espelhos em excesso e muito profissionais entre cabeleireiros, escovistas, manicures, faxineiras e outros, pensei que talvez esteja equivocada com relação a este mundo da estética.
Não paravam de passar pessoas, eu nem mesmo sabia dizer quem fazia o que lá dentro, mas todas provavelmente ganham a vida baseada na famosa “ditadura da beleza” que os curitibanos, em especial as mulheres, formam. Questionei-me: “Seria tão fútil assim?”
Quero dizer, se não existisse a tal futilidade – levando em conta que, os preços são muito elevados por coisas aparentemente simples – onde estariam as tantas pessoas que trabalham na área?
É verdade que àqueles que trabalham, provavelmente não podem usufruir dos serviços do ambiente que formam. Seus salários não são compatíveis ao preço que o estabelecimento cobra dos clientes por seus serviços. Isso até se assemelha a outros ramos da nossa sociedade brasileira, as quais também utilizam mão de obra barata.
Acho que poderia dizer que bem aventurados são os “salões de bairro”, da periferia. A visão é no mínimo mais simpática e igualitária entre profissionais e clientes. Algum tipo de cooperação mútua, onde preços são acessíveis e as realidades de vida são semelhantes.
Imaginei enquanto esperava, como seria ver esse mundo de gente que precisa lidar com a desigualdade no ramo da estética, revoltada diante de sua situação. Rindo, fiquei imaginando um exercito com secadores a postos, escovas voando, mulheres descabeladas e quem sabe uma fogueira de bobes…
A realidade sempre se mostra a mesma: clientes fúteis pagando absurdos, patrões que usufruem muito e pagam pouco e funcionários que escutam muito e não recebem porcentagem extra com o “piti” alheio. Tenho a ligeira impressão que a futilidade acaba por escravizar muitos, em ambos os lados desse grupo ligados a estética.
É, esses profissionais sobrevivem disso, o problema a meu ver, está com aqueles que enriquecem se aproveitando da necessidade alheia.
Talvez os rótulos e banners da estética pudessem usufruir das palavras de algum poeta. E como boa teóloga, indicaria uma linha das sagradas escrituras para reflexão:
“Vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo“ (Mateus 23.24)
P.S.: Comprovadamente, a maioria destes profissionais da beleza acabará com lesões, devido movimentos repetitivos ou problemas respiratórios causados pelo vapor das químicas utilizadas. Mas quem liga? Afinal, a vida nos salões não para nunca…
Publicado em Antologias, contos, poesia | Tagged beleza, Estética, estilo, futilidade, moda | Deixar um comentário »
Ando voltada para a esperança…
Acho que poderia tomá-la como sobrenome.
Mas, quais esperanças? Ah… Muitas, respeitável público, tantas que não caberia em um só enredo…
Tenho esperança de ver realidade mudar;
Tenho esperança de ver você, que tanto amo, com o carro que precisa, a casa que almeja, a paz que sonha, o amor que espera;
Tenho esperança de ver tantos que me rodeiam felizes apesar de tudo;
Tenho esperanças que crianças voltem a freqüentar os parquinhos e não deixem os brinquedos enferrujarem por falta de uso, mas que eles venham a quebrar de tanto serem usados nas brincadeiras….
Tenho esperanças que valores retornem, e que extremos sumam;
Tenho esperanças de entrar no ônibus de todos os dias e ver as mesmas pessoas com a diferença de que o sorriso seja algo permanente em seus rostos;
Esperança de ver o mundo colorido por minutos, e que outros o vejam também;
Esperança que o normal seja olhar para o céu todo dia e ver quão bonito ele é;
Tenho a esperança de me formar, de ver meus sonhos realizados, meus projetos executados e espero ver tantas gargalhadas que eu não possa contá-las;
Eu tenho a esperanças que outras pessoas vivam a paz que vivo hoje, na certeza de que Deus é meu Pai de verdade, esperança que Jesus seja o melhor amigo de outras muitas pessoas, muitas e muitas.
Esperança que as pessoas vivam uma vida com Cristo e não costumes e tradições apenas;
Eu tenho esperança no retorno do Don Quixote, de compartilhar sua loucura de encontrar o País das Maravilhas ou a Pasárgada da minha vida;
Esperança de confiar nas pessoas, sem o medo que uma sociedade te impõe, afirmando que ninguém é confiável;
Esperança de ter o amor de novela como de Lisbela, esperança de olhar para trás e sempre ter pessoas pra recordar e procurá-las novamente…
Esperança…
Ah doce esperança! Não te largarei por nada alimento dos sonhos… Tão divina esperança, estarei sempre perto de você.
Publicado em contos | Tagged contos, Esperança, Miot, Teologia | Deixar um comentário »
Da vida, sabe-se muito pouco. Só sabemos aquilo que já passou e nada mais.
Hoje minha vida é quase todo passado – somente uma coisa sei que sempre terá: Deus.
Meu coração que o diga, adora passado, perfeito, imperfeito, mais que perfeito e mais que imperfeito também. Coração que não tem nada para fazer fica me contando as coisas que já foram como as melhores inclusive para o futuro.
Começa pela infância: os doces comprados nas mercearias do bairro ou a divertida arte de escorregar de papelão nos morros da praça. Aleatoriamente vem me lembrar da inocência dos sonhos de amor que eu tanto esperava para o futuro. Lembra-me da adolescência, das manias de customização com o uniforme da escola e as semanas culturais cheias de maquetes e teatros pra lá de improvisados, sem esquecer os grupos dos quais me alistei, por assim dizer – O que eu mais relembro é o das “ICE BOX”. Hilário, porém confesso manter alguns valores adquiridos já naquela época.
Há coisas mais recentes, porém não deixam de ser passado: primeiro emprego, o vestibular de medicina, o vestibular de Teologia e os três anos anteriores da amada teologia pela qual me apaixonei.
E têm as mudanças do rosto e do corpo, a cor do cabelo o amor “Escondido num choro canção” como diz a musica, entre tantas que formam a trilha sonora do passado.
Passado… Passado…
Passado é o museu surreal do corpo, a história de cada um, com acervo de vida até o presente momento que acabou de passar e assim vai igual para todo mundo.
Meu passado é bem bonito. Parece uma caixinha de musica dessas bem antigas que se abre com cuidado por ser relíquia. Chega a bater uma tristeza de tão linda. Quando a bailarina gira no centro do espelho ao som de algum clássico, eu me debruço como quem deixa o pensamento ser levado pela musica, pelas pautas do que já passou daquilo que me mata de saudade.
Publicado em contos | Deixar um comentário »
Considero o Pedreiro um verdadeiro artista.Você já parou para pensar que toda a beleza da paisagem urbana é fruto de um trabalho braçal destes esquecidos artistas?
Bem, meu pai é um empreiteiro, um pedreiro de vasta experiência. Ele já construiu muitas coisas – é bem verdade que sua própria casa nunca foi possível terminar.
Estudo mínimo, porém seu conhecimento é algo fora do normal. Sua experiência de vida, em anos fazendo concreto, erguendo armações, colocando tijolos é algo que me espanta. Fascinante imaginar que alguém possa em poucas marretadas de forma bruta e suada por abaixo uma parede, e que estes mesmos braços sejam capazes de fazer recortes milimétrico, delicados e entregar prontos uma casa, um piso ou um telhado. Mas ninguém repara nisso.
Pouquíssimas pessoas são capazes de entender que para ser um pedreiro é preciso vocação. Não digo das pessoas que por não ter alternativa acabam por fazer bicos nesta profissão, digo daqueles que tem como vida a arte de construir.
O trabalho dos arquitetos e engenheiros, devido seus diplomas pendurados em seus escritórios lhes rendem muito, na grande maioria. E mesmo que não lhes renda, muitos agem como seres altamente qualificados e especiais neste mundo. É já vi pagarem fortunas por idéias que são colocadas por um computador em algo chamado plantas, perspectivas hoje feitas em AutoCAD. Não, de forma alguma desprezo o trabalho destas pessoas. Mas não as acho superiores nem inferiores aos pedreiros que precisam, pegar as tais plantas, pendurá-las nas paredes calfinadas e trazer a realidade o que esta somente na mente ou no papel de alguém. Entendem a complexidade disso?
Alguns compram um piso de duzentos reais o metro, porque gostaram dele, mas o pedreiro precisar fazer a colocação do mesmo por vinte o metro. Mais que isso considera caro. As fortunas em mármore, vidro e os apetrechos das madames cheios de frufru, além de caros, aí do coitado do pedreiro se quebrar ou riscar. Em alguns casos, basta não ir muito com a cara do fulano trabalhador.
Fato: Um restaurante fino da cidade. Jantar, almoço, happy hour significa: uma fortuna. Portas para a gerencia – ou donos, como preferirem – trancadas a senha disponíveis para funcionários de confiança apenas. O empreiteiro e seus companheiros de trabalho ficam no feriado fazendo o piso para que nos dias vindouros o estabelecimento tenha seu funcionamento normal. E Assim acontece: dias útil lá esta lindo e colocado o piso. O problema é que ha quase um mês o empreiteiro se desloca de sua casa, que é do outro lado da cidade, até o dito restaurante fino para cobrar mil reais que lhe devem por seu serviço –lembrando que isso custou combustível, alimentação e algumas dores musculares de horas suadas de trabalho braçal – que foi muito bem realizado. Afinal o piso esta lá, colocado e muito bem pisado por pessoas ricas que gastam quantias consideráveis no estabelecimento em questão.
Na ultima vez que meu pai foi cobrar os proprietários do restaurante, após um tempo esperando, vi um ser humano dito sócio do negócio ter a capacidade de pedir ao meu pai para voltar no dia seguinte para que pudesse receber a quantia. Resumindo: ABSURDO!
Ah esqueci de um detalhe: Somente a rupa do infeliz dito sócio do negócio, somava mais que o valor que ele ainda deve para o empreiteiro que espera sua boa vontade.
“Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…”
(O Bêbado e a Equilibrista – João Bosco e Aldir blanc)
Publicado em contos | Deixar um comentário »
Sexta-feira a noite. Centro de Curitiba.
Há um movimento enorme de pessoas, lojas abertas devido a proximidade do Natal. Porém nenhuma luz.
Confesso que me pus a procurar com desespero as luzes. Primeiro na praça Ozório, Tiradentes e finalmente numa ultima esperança, a Praça Santos Andrade. Mas nada, nenhuma luz, o sino calou e por algum motivo a cidade esta diferente dos outros anos nesta época. Curitiba esta triste.
Sou testemunha. O bairro nobre esta medíocre com suas mansões apagadas e na periferia há vestígios de pisca-pisca nas janelas como quem diz que ali há esperança, enquanto durar o acender e apagar das poucas luzes.
Meus olhos vagaram tristes por tamanho menosprezo a uma época tão importante em homenagem ao menino-Deus nascido em Belém. É como se apagasse da bíblia a estrela que guiou os magos até o Salvador Jesus.
Mas num instante meus olhos me chocaram por uma alegria incontida e confusa. Avistei a mais alta e bonita arvore de natal da cidade, lá no alto eu a vi da rua. Empolgada apontei e compartilhei de minha alegria. Em seguida li em voz alta as seguintes letras no topo da arvore mais linda de Curitiba: “HC”.
Como explicar aquilo, tão antiquado e humano? Por que a mais linda arvore de natal estaria no grande Hospital de Clinicas, com suas janelinhas a piscar com a entrada e saída de enfermeiros e médicos a atender aqueles que sofrem entre as muitas – ainda assim insuficientes – enfermarias e UTIS do HC? Ali seria então o lugar mais feliz e confortável para se lembrar que estamos as vésperas do Natal?
Alguns justificaram a falta de luzes, pela crise financeira devido a falta de poder aquisitivo. Eu mesma já fiz justificativa lembrando a falta de tempo para pendurar as luzinhas de R$ 3,99 em meu telhado. Lembrei-me das palavras do poeta: “Onde é que há gente no mundo?”. E onde estou eu nesta cidade que mesquinha ajuda a ofuscar as luzes de esperança do HC? E como justificar a falta de luz em Curitiba? Posto que talvez os maiores motivos para luzes apagadas ou para não querer festejar, estejam nas hemodiálises três vezes por semana de muitos semelhantes meus que freqüentam a alma do HC durante anos a fio, carregados por suas esperanças.
Por Deus, minha gente. Estou eu a me perguntar onde estão as luzes do Natal? E com vergonha, mas com sentimento de aprendiz posso sorrir e responder: “As luzes mais lindas de Curitiba estão no HC”.
Publicado em contos | Deixar um comentário »

Consta lá no Art. 5º da constituição: “IX -é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”
Se é nosso direito expressar o que nos bem vier a mente, por que querem tanto calar as mazelas particulares e ridículas de cada um de nós?
Visto que Deus mesmo permitiu a Moisés falar o que queria e a Salomão angustiar-se no livro de Cantares. Sem contar a criação, dando liberdade para Adão de escolher que fruto comer. Quem há de calar-se em plena modernidade?
Acho que falta a faixa e o protesto de pneus queimados…
Mas, que se ouçam as cantigas e poesias a respeito da pátria amada, seja ela de terra geograficamente falando ou do território traiçoeiro de algum coração humano.
Deixa eu dizer
(Cláudia)
Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso desta vida
preciso demais desabafar! (2x)
Suportei meu sofrimento
de face mostrada e riso inteiro
se hoje canto meu lamento
coração cantou primeiro
e você não tem direito
de calar a minha boca
afinal me dói no peito
uma dor que não é pouca
tem dó!
Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso desta vida
preciso demais desabafar! (2x)
Publicado em Uncategorized | Deixar um comentário »
Advertiram-me varias vezes: “não fale bobagem menina, isso não existe…”
Eu sei, eu sei. Parece mentira mais estava lá, eu vi.
Era bem humano, eu sei. Vestia-se como humano e falava as palavras como fulano, meu visinho. Pensando assim, ser divino não fala tais gírias… Mas e o brilho do olhar heim?! Vai me dizer que era humano?!
Pensando que ser humano foi criado por um artesão divino, na hora de fazer, de certo caiu um bocadinho de suor divino no olho do menino e ele ficou a reluzir vida afora…É, pode ser.
Certo, atenta agora pro detalhe da voz: não podia ser voz humana não minha gente… Eu lembro que era levinha do jeito da brisa. Igual a brisa rodopia o vestido, a voz rodopiava a cabeça e passava arrepiando tudo. Mas tem mulher que escuta Roberto Carlos e fala o mesmo, e Roberto Carlos é gente feita de carne igual a todo o resto…
Ah, já sei. Aposto que era anjo sim! Escutem-me vocês que já são gente grande e sabem de tudo um pouco desta vida: qual ser humano pode aparecer e desaparecer sem eira nem beira? Ah não falei, só ser divino faz isso, e era sempre assim, numa hora estava ali, perto feito outra metade de mim, e num instante cadê? Tinha sumido, ele voltava é verdade, hoje já não mais… Não acredito em fantasma! Não era fantasma, mas agora pensando lembrei que tinha cômodos na casa, e tem a vida e o trabalho e o mundo inteiro e nele todo ser humano se perde e se acha de vez em quando.
Tá bom meu povo, já entendi os seus murmúrios.
Donas lavadeiras, por favor, me deixem comentar mais um detalhe que veio agora correndo entre os retalhos do vestido da senhora realidade. Que ser humano pode tirar seus pés do chão? Diga-me quem sem pano preto de mágico ou caixa que rodopia e abre em duas, feito circo pode fazer a menina levitar? Nem Visconde de Sabugosa poderia explicar. Eu não senti o chão, parecia que tinha voado junto com ele. E só anjo voa, não é minha gente? Mas concordo com o que os rádios e as novelas falam. E lembrando a história de outras meninas cai em mim.
Povo gentil desta terra, das duras penas a levar a vida, nada mais posso eu contar a vocês, na esperança que acreditem em mim quanto ao menino anjo que avistei. Mas é que ele tinha mania de anjo, e eu juro que vi as asas em suas costas, eu juro que vi. Digo, porém que entendo a incompreensão de todos, acho que cada um já achou ter visto um anjo, mas sem testemunhas, quem acreditaria? Assim de vocês apenas me despeço e me calo, nada mais falarei sobre o assunto.
Agora você menino, anjo seja lá o que for, eu vi suas asas. Mas entendo que para viver neste mundo seja melhor guardá-las por um tempo. Agora, disfarce o brilho dos olhos, pois cedo ou tarde irão me dar razão de ser guardiã de suas qualidades. Pois eu juro que vi suas asas, contudo prometo guardar seu segredo sem mais nada a falar a qualquer ser humano ou divino que me pergunte sobre.
Publicado em contos, poesia | 1 Comentário »